Data: 03/02/1998 00:00:00 [449 Palavras]
Autor: Gazeta Mercantil
RIO, 3 de fevereiro - O BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fez a primeira apresentação de uma emissão de debêntures conversíveis em ações ordinárias da Eletrobrás para investidores nacionais e estrangeiros. A operação é a primeira do tipo a ser realizada no País. Envolve R$ 200 milhões e deverá estar concluída em 18 de fevereiro, sob a coordenação do Salomon Smith Barney. A permuta poderá ser feita em três anos, a contar da data de realização do leilão, ou quando o debenturista desejar, abrindo mão do pagamento de juros. Estão previstas duas tranches: uma pequena para o mercado interno e outra maior, a ser lançada no exterior. Luiz Crysostomo de Oliveira Filho, diretor-executivo do banco Patrimônio - um dos coordenadores da operação para o mercado interno, ao lado do Omega e Bradesco -, explicou que esse papel terá dois tipos de remuneração: dividendo fixo e variável, que se somam. No primeiro caso, o dividendo será pago trimestralmente, corrigido pelo IGPM + 10% ao ano. A remuneração variável, paga anualmente, garante que o que exceder a 1% sobre valor da ação da Eletrobrás na data da emissão ficará com o debenturista. Até 1% fica com BNDESPar. "É um produto novo e obrigatoriamente conversível em ação e que não pode ser resgatado em dinheiro", disse o diretor. Segundo Oliveira, na permuta, se ao final de três anos a ação da Eletrobrás cair, o detentor das debêntures vai receber o IGPM, 10% e o dividendo variável, e a queda será amortecida. Se, nesse período, o papel valorizar entre 0% e 22%, o investidor recebe em pagamento de 82% a 100% das ações, pela cotação média dos 20 últimos pregões. Em um terceiro caso, se a ação valorizar acima de 22%, o investidor recebe o equivalente ao dividendo fixo, mais o variável e 82% do volume de papel. O restante fica com o BNDESPar. Nelson Rosental, diretor do BNDESPar, garantiu que na privatização da Eletrobrás nenhum acionista minoritário sairá perdendo. Quem tem debênture, segundo ele, no final da privatização vai ter direito a uma cesta de ações da empresa. "O produto protege perdas", afirmou. Para realizar a operação, o Banco Central (BC) exigiu que o BNDESPar se transformasse em empresa de sociedade anônima e obtivesse registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O BNDESPar é o segundo maior detentor de ações da Eletrobrás. Do total da sua carteira, 53,4% são papéis do setor elétrico, dos quais mais de 80% são da Eletrobrás. A debênture conversível é um produto criado em 1993 e hoje movimenta US$ 13 bilhões no mercado global. O objetivo é atrair empresas que querem gerar caixas, sem pressionar o mercado acionário. (Inês Landeira, do InvestNews/PG)
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