
Fonte: Denúncia TCU nº 027.703/2008-5 de 2008. Para ver a imagem amior clique aqui.
Enquanto o mercado observou a troca de comando da VALE,
sob os holofotes de influência ou não do Ministro Guido Mantega, da
interferência ou não do ex-presidente Lula ou mesmo dos Presidente do
Bradesco ou da PREVI, poucos investidores nacionais e internacionais
perceberam a realidade envolvida.
As circunstâncias que envolveram a saída do Presidente
Roger Agnelli e a posse do Dr. Murilo Ferreira revelam algo muito mais
sério. Conforme já vem sendo investigado, desde de 2008, em processos na SEC
(Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) sob os nºs 676.560.200,
323.950.536. e 207.648.893.4; na NYSE (Bolsa de Valores de Nova Iorque) nº
676.560.196 e no FBI, existem provas definitivas de que o Brasil é um
mercado perigoso e pouco confiável. Os players brasileiros estão organizados
de maneira que violam regras internacionais, em que pese estarem inseridos
em negócios e bolsas globais.
O problema não é quem manda na VALE, mas sim o fato
incontroverso de que a maior parte dos negócios feitos a partir da BOVESPA,
ou mesmo as fusões e incorporações internacionais abrangendo grandes
empresas brasileiras envolvem, 90% das vezes, mais de U$ 250 bilhões
administrados pelos 34 maiores fundos de previdência privados do Brasil,
entre eles PETROS, PREVI, FUNCEF, mais os Fundos de Investimento em Ações
dos clientes da Caixa Econômica Federal (aprox.U$ 90 bilhões), os Fundos de
Investimento em Ações do Banco do Brasil (aprox. U$ 120 bilhões) e os fundos
de participações organizados pelo BNDESPAR e pelo BNDES (com mais de U$ 150
bilhões de capital e participações) - fonte: denúncia no TCU sob o nº
027.703/2008-5).
Citadas entidades têm seus diretores e presidentes
escolhidos por não mais do que seis pessoas justo posicionadas no Brasil. E
pasmem, estas mesmas pessoas ainda escolhem os Presidentes e Diretores das
mais de 20 empresas do Grupo “Privado” Eletrobras, das mais de 30 empresas
que compõem o Grupo “Privado” Petrobras, escolhem os bancos responsáveis
pelo bilionário negócio de emitir ações e ADRs do Banco do Brasil, Petrobras
e Eletrobras; além de escolherem os presidente e diretores do BNDES e
BNDESPAR, também definem o volume de financiamento e de participação
societária, no Brasil e no exterior quanto a negócios das mais importantes
empresas do mundo, tais como: OI BRASILTELECOM, VALE, JBSFRIBOI, BRASIL
FOODS, EMBRAER, EMBRATEL, AMBEW-INTERBEW.
Todo este poder estruturado não vem a público, exceto
quando ocorre mudanças como a da VALE. De regra, tudo sequer é comentado,
não merecendo notas por parte de auditorias ou mesmo dos órgãos de
fiscalização. Afinal, o mesmo centro de poder também escolhe os Diretores e
Presidente da CVM - Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central do
Brasil, órgãos que a todos deveria fiscalizar.
O fato preocupa não pela VALE ou por seu ex-presidente,
mas sim pelo seguinte aspecto: caso este grupo de pessoas, empresas e bancos
sintam-se tentados em ajudar um ao outro, será que estarão agindo com
“conflito de interesses”? E pior: e se as pessoas citadas resolvessem
revelar uns aos outros suas intenções e segredos, mesmo que de boa fé,
estarão violando regras de “Chinese Wall” e suas ideias podem ou não definir
ou criar movimentos que estabeleçam o preço de ações e commodities de forma
não natural? E quando se reúnem e organizam ou não fusões/incorporações ou
serão TAG ALONGS? Basta não ser público! Se ocorrer esta hipótese, estarão
cometendo crimes financeiros ou simplesmente manipulando preços e mercado? É
muita dúvida acessória para um mercado de “risco”.
A preocupação agiganta-se ainda mais quando se
considera o fato de que os negócios realizados por empresas e investidores
brasileiros despontam com peso nas Bolsas de Valores que compõe o sistema
NYSE/Euronext. VALE, AMBEV, JBS FRIBOI, PETROBRAS, ELETROBRÁS, OI
BRASILTELECOM e BRASILFOOD, por ex., são as maiores multinacionais do mundo
em seus setores de atuação.
Assim, quando os diretores dos citados bancos, dos 34
maiores fundos de previdência privados do Brasil (que administram os
recursos de seus clientes aplicados em fundos de ações), do BNDES, do
BNDESPAR resolvem, estruturadamente, aplicar recursos em ações ou participar
de fusões e incorporações, que envolvem os grupos empresariais, os quais
estão ligados por um centro de gestão e financiamento comum, é necessário
esclarecer ao mercado que estes estão agindo organizadamente, sem nenhuma
fiscalização, isenta de conflito de interesses e utilizando mais de 400
bilhões de dólares em dinheiro e estruturas patrimoniais que ultrapassam 200
bilhões de dólares.
Sem explicar como isto ocorre, sempre haverá suspeita
de “conflito de interesses”, violação as regras de “Chinese Wall”, “Falta
de Transparência” e “ausência de fiscalização imparcial”. Em território
estrangeiro, principalmente nos mercados diretos e de derivativos
organizados em torno das operação da Bolsa de New York, tais circunstâncias,
presente ou ausente a má fé, são consideradas práticas de crime por força
das leis Securities Exchange Act, Sarbanes Oxley- SOX e Dodd-Frank Act.
Édison Freitas de Siqueira
Presidente do Instituto de Estudos dos Direitos dos Contribuintes
www.direitosdocontribuinte.com.br
efs_artigo@edisonsiqueira.com.br
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