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Novembro/2006
Carolina
Salanti Ferrari
(OAB/RS
59.077)
- Advogada-executiva
da ÈDISON FREITAS DE SIQUEIRA
ADVOGADOS ASSOCIADOS
- Graduada
em Ciências Jurídicas e Sociais pela
UNIRITTER
Foi
assinada no dia 15/02/2006 a Medida
Provisória nº 280 que reajustou em
8% a alíquota do Imposto de Renda.
Tal medida foi retroativa a 1º
de fevereiro de 2006.
O
reajuste na alíquota do Imposto de
Renda estava fortemente ligado ao
reajuste do salário mínimo do país
de R$ 300,00 para R$ 350,00.
O
reajuste da tabela do Imposto de Renda
(IR) beneficiou principalmente os
trabalhadores que tiveram algum
aumento salarial. Caso não houvesse
esse reajuste, os trabalhadores
beneficiados com o aumento do mínimo,
provavelmente se enquadrariam em uma
faixa mais alta da tabela e, com isso,
pagariam mais imposto ou perderiam a
condição de isento, o que na prática
transformaria o aumento salarial em
prejuízo.
Mudanças
geradas em função da Medida Provisória
nº 280/2006:
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ANTES |
DEPOIS |
| ISENÇÃO
- LIMITE |
R$
1.164,00 |
R$
1.257,12 |
| ALÍQUOTA
DE 15% |
Salários
de R$ 1.164.01 a R$
2.326,00 |
Salários
de R$ 1.257,13 a R$ 2.512,08 |
| ALÍQUOTA
DE 27.5% |
Salários
maiores que R$ 2.326,00 |
Salários
maiores que R$ 2.512.09 |
| DEDUÇÕES |
R$
117,00/mês por dependente |
R$
126,36/mês por dependente |
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GASTOS
COM EDUCAÇÃO DO PRÓPRIO
CONTRIBUINTE E DE SEUS
DEPENDENTES
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Até
R$ 2.373.94 por contribuinte
ano. Sendo que por dependente
o limite é de R$ 1.516,32 |
"Art. 10,
da Lei 11.119/2005 (Lei que alterou a
legislação tributária) - O
contribuinte poderá optar por
desconto simplificado, que substituirá
todas as deduções admitidas na
legislação, correspondente à dedução
de vinte por cento do valor dos
rendimentos tributáveis na Declaração
de Ajuste Anual, limitada a R$
11.167,20 (onze mil, cento e sessenta
e sete reais e vinte centavos),
independentemente do montante desses
rendimentos, dispensada a comprovação
da despesa e a indicação de sua espécie.
A
Receita Federal, por sua vez, resistiu
à correção, com o argumento de que
são poucas, em relação à população
do país, as pessoas que pagam o
IMPOSTO DE RENDA, e que a correção
provocaria queda de R$ 1,1 bilhão na
arrecadação do corrente ano.
Acontece que, em menos de 02
meses completos do ano de 2006, a
população brasileira
desembolsou em favor dos cofres
públicos, a título de impostos, o
equivalente a mais de R$ 100 bilhões,
o que significa que a mudança tão
importante para os brasileiros menos
favorecidos, não acarretará perda
significativa para a nação em geral.
Segundo
dados do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT), a
arrecadação prevista para este ano
deve superar a marca de R$ 800 bilhões,
ultrapassando os R$ 731,8 bilhões de
2005. No mês de agosto deste ano a
Receita Federal informou o recorde de
R$ 30,611 bi arrecadados. A Receita
Previdenciária atingiu R$ 10,897 bilhões.
O número foi previsto a partir do
resultado do Impostômetro, instalado
no centro de São Paulo, que mostra
que a arrecadação de impostos
federais, estaduais e municipais em
tempo real bateu ontem nos R$ 600 bilhões
em impostos desde 1º de janeiro de
2006. Pesquisas realizadas no setor
revelam que se todos os contribuintes
pagassem todos os tributos, a carga
tributária teria atingido 59,38% do
PIB em 2005. Para mostrar o
"efetivo ônus" da carga
tributária potencial sobre a economia
formal brasileira, o IBPT calcula que,
de cada R$ 100 de riqueza líquida
produzida, é necessário pagar R$ 60
em tributos, o que fez que a inadimplência
crescesse 59% em três anos, até
2005. Apenas sobre a economia formal,
a carga tributária é de 54,82% do
produto bruto. Para gerar R$ 100 de
riqueza líquida no setor empresarial
é necessário pagar R$ 82 em
tributos.
Dados apresentados pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe), da USP, mostram que o governo
já abocanha 49% da renda das famílias
que ganham até dois salários mínimos
por mês (R$ 700). Em 1996, a arrecadação
era de apenas 28,2%.
Importante
ressaltar, principalmente em ano de
eleição, que numa lista de 25 países,
o contribuinte brasileiro só paga
menos impostos do que o de Suécia,
Noruega, França e na Itália, revela
o levantamento.
A
diferença que nesses países o
dinheiro do imposto é revertido em
serviços para o contribuinte. No
Brasil, de acordo com o IBPT, a carga
tributária é alta para sustentar
inchaço da máquina administrativa.
Além disso, um terço de tudo que é
arrecadado iria pelo ralo com corrupção,
má aplicação de recursos públicos
e subfaturamento de obras.
Segundo
estudos realizados pelo Banco Mundial,
uma empresa brasileira média precisa
de 2,6 mil horas por ano para cumprir
suas obrigações tributárias, o
equivalente a 108 dias inteiros. Em
nenhum outro país pesquisado se perde
tanto tempo com isso. No Chile, 432
horas são suficientes para pôr os
impostos em dia.
Portanto,
num ano tão importante quanto é esse
para toda a população brasileira,
nos resta apenas apostarmos nas novas
propostas apresentadas por nossos políticos
e votarmos conscientemente para que a
partir do ano de 2007 possamos
diminuir a carga tributária que hoje
nos assola e tentarmos juntos mudar a
realidade desse país que caminha tão
morosamente para o progresso.
Fontes:
Jornal Zero Hora, Diário Catarinense,
Site da Presidência da República,
Site
Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT)
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